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A DIVISA
por Jonas Silva
A represa da divisa faz parte de um complexo de captação e armazenamento de água do sistema salto; uma engenharia criada na década de 50 para garantir um nível de água capaz de gerar energia. Mesmo nos períodos de estiagem, as barragens acumulam 71.000.700 litros de água, sendo distribuídos da seguinte forma: 10.300.000 na barragem do salto, 50.000.000 no Blang e 11.400.000 na divisa que é a primeira barragem do sistema, a qual estivemos recentemente visitando, para conhecer um dos mais lindos e propícios lugares deste país para a prática da pesca esportiva.
O lugar é de difícil acesso, sendo necessária a utilização de um carro com tração nas 4 rodas e a velocidade média de viagem no trecho é de 20 km/h. A estrada contém muitos buracos e pedras, formando assim uma verdadeira trilha. Com muito cuidado, nossa equipe demorou cerca de uma hora e meia para fazer o percurso de 30 km. Estávamos com duas camionetes e dois barcos de alumínio de 5 metros - próprio para a pesca esportiva. Nosso objetivo era buscar a prática de diversos fundamentos na pesca de bass, e fomos desta vez muito felizes. O prêmio e a recompensa pelo cansaço da viagem surgiu já no domingo à tarde, tão logo chegamos à casa da família Lopes que nos acolheu por 2 dias, nos oferecendo todo conforto e liberdade para podermos fazer mais um trabalho sério e relatar ao leitor algumas informações valiosas sobre o bass.
Ao entardecer, a lâmina da água com muita vegetação, conhecida como labassa por alguns e, na região, chamada de boiadeiras. èÉ uma vegetação flutuante onde o bass costuma ficar nas partes fundas, por baixo da vegetação. Nesta situação usamos a modalidae chamada “no sinking” - linha de fluorcarbono, anzol e minhoca senko sem chumbo. Detalhe: a ponta do anzol espetando o corpo da minhoca, isso faz a minhoca deslizar sobre a vegetação sem enroscar, facilitando o trabalho de recolhimento.
Ao encontrar um buraco na vegetação, deixamos a minhoca parada; com isso ela afunda e então acontece o ataque do bass nas áreas mais limpas. Em frente a juncos ou boiadeiras, usamos o “wack”, modalidade muito produtiva em que o anzol circle hook também é usado sem peso. Com muito sucesso neste tipo de situação, usamos também “jig wac” e “down shot”, “carolina”, “texas” e por ultimo plugs como zaras. Isso se deve a uma barragem de 11.400.000 litros de água com diversas profundidades e tipos de estruturas, como locais com pedras, ponto excelente para pesca em locais com muitos tocos de árvores, que é preferido para a proteção contra os predadores. Afinal, julga os outros por si próprio, vive caçando para a sua sobrevivência e se esconde nesses locais para não virar a caça.
Na manhã do dia seguinte um belo nascer do sol já nos dá ânimo. Mais uma dica importante: teremos outro dia quente e com muita ação. Logo cedo saímos para nova investida e já nos primeiros pinchos aparecem os grandes astros, que só podemos ver com a capacidade e oportunismo de Peppe, que está cobrindo a pescaria da barranca. Com o olho sempre por dentro da lente, nos mostra um show de perícia e profissionalismo, que hoje registramos nesta edição de peixes fisgados e saltando, dando um espetáculo à parte, que quase sempre fica nas conversas em roda de amigos ou na memória de quem esta ali naquele momento. O dia segue e a captura dos bass também durante todo o dia.
Cai a tarde e é hora de regressar, após um intenso dia de pesca, cansados e com aquela estrada nos esperando. Ao sairmos da propriedade dos Lopes já anoitecia, e o plano era ir direto a Porto Alegre. Alguns km adiante, acabou furando um pneu, o que nos atrasou ainda mais. Coisa normal para aquela condição de estrada, mas mesmo assim, com tantas dificuldades e contratempos, ainda vale a pena por ter um paraíso que lhe dá condições de praticar no mínimo oito fundamentos de pesca de bass, e com sucesso.
Quero aproveitar essa oportunidade e agradecer a Revista Pesca e Cia, Alex Koike, Peppe Mélega, Ruy Varella, Paulo Oliveira e Cristiano Thissen. Em especial a Família Lopes, pelos momentos vividos em seu pedacinho de chão, que ficarão vivos na memória de cada um de nós. assim como não se apagam de suas lembranças a infância que viveram neste local e que até hoje, apesar de terem se tornado empresários nas suas vidas trabalhando mundo a fora, não esqueceram de cuidar e estão até hoje lutando pela preservação do local, cujo primeiro pescador a descobrir um peixe do qual sequer sabia o nome na época, foi o pai de vocês, e por isso entendemos o valor que esse pedacinho de chão do Brasil representa para vocês, e tenham a certeza que esta luta de preservação ao meio ambiente e a natureza vocês não estão sozinhos. Nós, que defendemos a pesca esportiva e o meio ambiente, carregamos em punho esta bandeira para poder continuar. É preciso conscientizar e preservar nossos valores.

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