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HISTÓRIAS


Relato do Jonas

16/10 07h00min

Saí de Porto Alegre num vôo da Gol (Porto Alegre - Congonhas - Brasília - Manaus)
Na chegada fui recepcionado por Magal agente de viagem que nos esperava para fazer o traslado e também havia confirmado nossa viagem no domingo pela Trip para Barcelos.

Neste dia, sexta feira, encontrei com meu parceiro de pesca Sr. Wilson Pipi no Aeroporto de Manaus que havia feito o trajeto pala Varig e chegou minutos antes. Encontramos um grupo de Farroupilha que também chegava naquele momento.
Visitamos o shoping o mercado publico e a zona franca que, posteriormente, segundo um vendedor local, descobri que "tiraram.
a franca e só restou a zona".

Encontramos na zona franca um senhor chamado Iran, residente Altamira, amigo de nosso associado da ARPIA (Associação Riograndense de Pesca com Iscas Artificiais) Waltinho, com quem conversamos muito e nos convidou para uma pescaria na fazenda
do Carlos Flech, onde o Waltinho não foi.

17/10
Depois de visitar a loja sucuri no shoping amazonas no sábado, chegaram a Manaus mais 5 integrantes do nosso grupo: Alex,
Valtonir, Edgar, Zé, Junior e Edgar gaúcho radicado em são Paulo
Zé e Junior são de SC.
Do nosso amigo Jorge.

18/10

04h30min da manhã estamos no saguão do hotel prontos para voar para Barcelos num vôo da Trip com horário marcado para 5h. Embarcamos em um bi-motor juntamente com outro grupo de pescadores do Espírito Santo que também ia para o mesmo
destino e óbviamente com a mesma finalidade; pescar. A grande diferença é que eles só pescam com isca viva.

05h10min o comandante avisa que está chovendo torrencialmente em Barcelos e decide reabastecer a aeronave antes de decolar, pois não sabemos se vamos poder pousar, já que Barcelos não tem instrumentos; o pouso e visual.

06h20min
chegamos à Barcelos, vôo tranqüilo e todos com muita vontade de pescar.

Somos recepcionados por Didi proprietário da Amazon Pense Tur com quem vamos navegar no barco Princesa Amazônica barco novo
Com calado de 60 cm para navegar em águas rasas.

08h00min chegamos ao barco e lá encontramos os outros integrantes do nosso grupo : 3 médicos Edgardo, Rolam e Marcelo.

Embarcamos e começa nossa viagem . Daí para frente não temos mais horários. Viajamos a manhã de domingo com uma forte chuva
Preparamos as varas e iscas e logo nos foi servido o almoço. Em
seguida saímos para a primeira pescaria.

Fui logo ao rio Cuiuni, um afluente do Negro a procura de um lago onde no ano passado meu parceiro Zequinha tinha perdido alguns tucunarés.

Não fui feliz não consegui encontrar o tal lago, mas pegamos ali
os primeiros peixes pequenos, sempre com muita esportividade. Aí começa a primeira aventura que sempre acontece comigo: o barco não estava no local combinado começa a procura cai à noite e demoramos em encontrar o barco ele estava longe do local combinado logo no primeiro dia, meu parceiro já estava nervoso mais eu me mantive calmo, pois Carueira nosso guia e prático do barco grande conhece como ninguém estes rios.

19/10
Saímos pela manhã para pescar e o barco grande continuava a subir o rio Negro com destino ao rio Atauí . Nesse primeiro dia a pesca não foi boa choveu forte outra vez e o repique já tinha começado. Os peixes no repique de água, ou seja, quando o rio volta a encher, eles
não estão ativos, isto é, não estão caçando, portanto não rende a ação.

Ao meio dia nos reunimos para o almoço numa praia onde se come peixe assado em grelhas de madeira verde cortado da mata e muito bom, voltamos a pescar à tarde e à noite.

Já no barco estamos todos bem, jantando e falando sobre o dia seguinte enquanto o barco navega à noite até o próximo destino; rio Atauí, Calculamos no GPS a distância deste rio a Barcelos. Linha reta 110 km, mas com todas as curvas do rio, a distância percorrida se aproxima dos 150 km.

20/10
Saímos novamente pela manhã para pescar e o barco continua a navegar. O dia não é muito produtivo e chove forte durante a tarde. Nosso guia fala que o rio está enchendo. No final da tarde entramos num lago que insisti para entrar e tive 4 ataques de peixe grande pegamos ali alguns pacas que são dos tucunarés os que mais brigam.

Então chegamos ao barco à noite já no destino na boca do Atauí.

21/10

No dia seguinte todos saem cedo e entram no rio que está muito baixo. O barco grande não tem condições de navegar.

Vou para outro rio e não tenho sucesso. Volto ao barco ao meio dia para almoçar e aí encontro mais 2 duplas que entraram no rio Atauí e não encontraram os peixes, apenas alguns exemplares pequenos e cardumes de surubi que ficam no raso nesta época do ano.

À tarde resolvi descer o rio e voltar ao lago que no final da tarde de ontem tive ação. A ação foi muito boa. Meu parceiro Pipi disse: "agora estamos pescando de verde". Ele que nunca havia pescado na batida com isca artificial se encanou com a emoção de um boto que pegou seu tucunaré fisgado e levou linha, brigou e depois soltou o peixe. Uma boa sensação, mas o boto não nos deixou durante toda tarde. Preocupante é que os tucunarés que largávamos ali eram atacados pelo boto com uma velocidade muito grande. Sinal que não há comida para sua alimentação. O animal está contando com nossa ajuda para o seu jantar.

À noite no barco mãe a reunião e a decisão de voltar ate o Cuiuini.
Partimos 19h00min e navegamos toda noite até chegar ao rio escolhido.

PERDIDOS NA FLORESTA AMAZÔNICA
Pela manhã, chovendo, saímos para mais um dia de pesca
Bom, com maiores peixes e ações fortes o barco continuou subindo o rio Cuiuini e nós subimos pescando entrando nos lagos até o final da tarde.Quando nos perdemos pela segunda vez e aí a coisa foi mais séria. Passamos a menos de 100 metros do barco mãe que havia parado em uma ilha protegida no canal de navegação onde existe um atalho do qual passamos e seguimos adiante..

Do ponto onde estava o barco navegamos um 20 minutos e então paramos. Perguntei ao guia se estávamos perdidos, pois não conseguíamos avistar o barco. Já estava escuro e de repente avistamos um fogo ma margem do rio. Decidimos que seria ali nosso refúgio até receber socorro, pois já não tínhamos gasolina. Paramos na margem e gritamos para que alguém nos atendesse. Demorou um pouquinho e então uma voz respondeu. Pedimos alguma gasolina para nos emprestar e ele prontamente cedeu seus 3 litros de combustível que havia ganhado de outro guia do nosso barco. Então decidimos ficar ali mesmo. Descemos, descarregamos a caixa de bebidas e subimos à barranca do rio.

Conhecemos ali este senhor de 67 anos, dormindo numa rede e com uma arma calibre 16 no chão, sem água potável e sem alimento. Na conversa, as perguntas: como é seu nome? João Carneiro; qual sua idade? 67 anos; do que vive? caçando tartarugas; o que come? peixe comeu hoje o que? uma posta de peixe; quer beber alguma coisa? sim, um guaraná. Então resolvemos tomar uma cerveja para aliviar a tensão e seu João nos acompanhou.

Ficamos ali por mais de uma hora e o nosso guia que tinha recebida à informação de seu João que o barco estava para cima, indicando onde ia parar. O guia Edílson foi em busca de socorro numa noite sem lua com rio baixo e muitos paus e jacarés à beira do rio. Passamos uma hora de muita apreensão e felizes por estar em terra firme.

Então ouvimos um barulho de motor que certamente vinha em nossa direção. Mais alguns minutos e avistamos um farolete. Liguei a minha inseparável lanterna mega light de 2 pilhas pequenas e começamos a sinalizar. O barco logo nos viu, embarcamos deixando o velho guerreiro ali sozinho sem comida mas com toda a bebida que tínhamos águas minerais e refrigerantes .

Navegamos mais meia hora de volta ao barco mãe onde todos já estavam apreensivos porque perder alguém numa floresta como a Amazônia não e fácil e pode ser que ninguém mais o encontre.

A RECOMPENSA

Na manhã seguinte decidimos pescar perto do barco grande e fomos para um lago e em seguida pegamos um cardume de borboleta e paca. Pegamos muitos peixes e um estourou perto do barco, certamente um Açu grande que provocou um estouro muito forte na superfície fazendo as piabinhas saltar fora da água para escapar. Passamos o dia neste lago e pegamos mais de 70 peixes, todos devolvidos a água: paca de 5.5 kg paca d 4 kg e mais outros vários na faixa de 3 kg caiu à tarde e a chuva novamente bateu forte por um 40 minutos. Nos abrigamos com capas e no meio da vegetação no final da tarde embeste para voltarmos ao ponto em que tivemos a ação do tal Açu e o guia se dirigiu para lá onde pegamos mais alguns peixes.

Ao entardecer já, quase noite a felicidade bate na vara do parceiro um peixe de 8.5kg!!!! Numa isca jhonp minow dourada e então foi a festa, para quem nunca havia pescado assim estava ali se vacinando.
Quando embarcamos o bichão e fotografamos meu parceiro me surpreendeu e disse "esse eu vou levar". Na mesma hora eu respondi que não, esse peixe alcança 11, 12, 13 kg e, se matarmos, nunca vamos poder bater o recorde que é de 11.635kg . Discutimos e então e então usei um argumento mais forte: "vamos causar um grande constrangimento no barco, o Dr. Edgardo nunca vai nos perdoar". Então meu parceiro cedeu e entendeu que os peixes devem ser devolvidos para que possamos voltar outras vezes e ter sucesso em nossas pescarias. Uma vitória do peixe que voltou para água e figura como estrela na sala de quem o fisgou numa linda foto.

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